
Era uma vez um banco de praça.
Cansou-se de estar vazio, e fez do tempo, um martírio.
Mal sabia o velho banquinho que o tempo, quase sempre amigo, um bem maior lhe traria.
Folhas de papel rasgadas.
Outrora, flores sem pétalas. Flores aladas.
Sorvete caindo. Mulheres chorando.
Amores partindo. Meninas brincando.
Contradições.
Bela flor ao pé do pipoqueiro.
A meninada crescida, na praça.
Lança-lança de olhares, beijos soltos.
Beijos-emoção. Beijos-tradição.
A meninada cresceu.
O banco sozinho.
Um pipoqueiro.
Algodão- doce na boca da criança, sonhando.
A boca do moço na boca da moça, brincando.
Lá trás, tinha uma roseira, tão linda.
Tempo,
Tempo.
Concreto.
Banco sozinho, escondido na sombra, atrás da catedral.
Sozinho.
Tempo.
Tempo.
Vida, algum sentido.
Vida voltando para o velho banco da praça.
Já apagado, desmontando.
Esperando.
Dois amigos.
A menina e o menino.
Menino de pé sujo, amarrando a linha na pipa.
Menina da venda, margarida no cabelo.
Ela também era uma margarida.
Amizade.
Amizade.
Amizade.
Am... Não se sabe ao certo.
Banco vazio.
Tempo.
Tempo
Tempo.
Moça chorando.
Tempo.
Tempo.
Moço pensando.
Vendo a pipa no céu, e a margarida no chão.
Tempo.
Tempo.
Como é doída essa dor.
Tempo.
Mas nem tanto tempo assim.
Mulher no banco. – Sou sua -
Homem ajoelhado. – Te amo tanto-
Como é lindo o amor.
E o banco nunca mais vazio.
Nem os corações.
“Dedicado aos corações que sonham e acreditam num amor maior que nós... Pode até parecer conto de fadas, mas, se fosse tão inútil, a Cinderela não seria tão famosa, não é mesmo?!”
