Acabei de descobrir, ou, na verdade, perceber...
Nós não vivemos por nós mesmos...
O ser humano é sensível ao ponto de chegar a ser fraco algumas inúmeras vezes.
Nossas vidas estão embutidas nas vidas alheias, pois, algo grita no subconsciente dizendo que as outras vidas são as que importam na maior parte do tempo.
Isso não é ruim, porém, as conseqüências podem ser dolorosas, até demais...
Se o outro se corta, é seu sangue que jorra...
Caminhar vendo nos seus, os pés do outro, vendo em seus atos, as palavras que o outro usou para alertar-lhe.
É completa e incrivelmente inexplicável a forma como certas pessoas tornam-se importantes...
À noite, os pensamentos se misturam com as notas musicais que você usa como sonífero, mas, é em vão... Aquelas memórias atordoantes vêm e vão como marés em noite de lua cheia, que custam a parar.
Na verdade, as memórias são ótimas, porém, um desespero as envolve, surge, pois, uma dúvida: 'Aqueles em seu pensamento dormem bem?'...
Então, por fim, uma nuvem de sono chega, e põe 'ponto final' em sua "dor", até que, no embalar da noite, "aqueles" reaparecem , flutuantes, em doces sonhos...
Amanhece, o sol dissipa maus pensamentos, como se eles fossem feitos de gelo.
Você pensa: "Estão bem, é claro!".
E essa certeza se transforma em saudade à medida que as horas passam... Em cada atitude tomada, uma lembrança vem à tona, afinal, "ele" lhe disse uma vez que aquela atitude era a mais convicta.
"Ele" acreditou tanto em você, que quase o convenceu de que era realmente indestrutível.... Invencível; o convenceu a ser otimista em meio a tanto pessimismo no mundo, e a não ter insegurança, nunca! Nós somos muito mais do que certos espelhos mostram...
Já se passaram muitas horas, a saudade e preocupação já são muito mais do que simples "pedrinhas" no sapato... E então, você sai lá fora, o sol está se pondo...
É o auge da penosa dor, e você, ser humano "fraco", sente rolar uma lágrima, que pinga no papel que está em suas mãos... Você olha o papel... Palavras que "ele" leu e elogiou tanto! Você falava do pôr-do-sol... Curioso, não?!
O sol está quase dentro da montanha, já se vê a Lua, apressada, que chega ao céu...
De repente, uma delicada onda de "alegria" toma conta de seus lábios... Você sorri, inspira bem fundo, seca aquela lágrima, e coloca a mão no peito, para guardar a gotinha no coração, onde muitas outras gotinhas a esperam...
É o fim de mais um dia que você viveu, não em si mesmo, mas sim, "nele".
Ao deitar na cama, o travesseiro se molha mais uma vez, você apela para aquele "sonífero", e, de nada adianta... Até que, a misericórdia de Deus sopra sua fronte, e você dorme...
Lá está "ele", leve, e, sorrindo, como na última vez em que você o viu...
Atrás dele, o formoso sol, em tons palha, esperançoso...
Seus pés estão sob nuvens, você flutua até "ele", abraça-o, tão fortemente que até pode sentí-lo nos braços... "Ele" desaparece...
A manhã chega, e você, finalmente age, corre atrás dos objetivos, como "alguém" lhe ensinou...
Então você descobre, ou, na verdade, percebe, que pode tirá-lo (literalmente, ou, quase isso) de seus sonhos...
Dedico esse texto a Ieda, uma professora que abriu as janelas da sala de aula, deixando a luz invadir, assim como fez com meus olhos...
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
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