quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ventania de Minha Vida


Alpinópolis, uma cidade.
Ventania, um lar, meu lar.
Ventania, carinhoso nome
Contraditório.
Ventania que não venta, nada leva...
Tudo deixa, tudo fica.

Ventania de gente caridosa,
Sotaque inconfundível,
Cultura inesquecível.
As congadas no Natal trazem dança, música e cor.
Cor! Cor tem a praça coloral da Igreja Matriz.
É lá também que tem o amor...
Lá, onde se casaram Valdeci e Raquel,
Mais conhecidos no meu íntimo como meu pai e minha mãe.

A Festa do Largo do Rosário
em 25 de dezembro...
E, principalmente, o 25 de dezembro
na viola caipira do meu tio.
Naqueles toques chorosos
eu cantava e sonhava...
Minha mãe fotografava...
Hoje, uma foto na estante:
Vovô segurando a viola, ele não tocava.
Mas tocava a mim.

Ventania, Ventania de ruas infinitas
Ventania de minha memória
Ventania da vovó Teresa, da vovó Maria.
Ventania de um amigo eterno...
Ventania do meu primeiro amor.

Ventania, ruas de calmaria
Nas tardes desertas e ociosas.
Um deserto em meu coração,
eco de um pesar e uma saudade.

Ventania, meu brinquedo de menina,
Coisa inocente que brincou comigo,
Fez em mim o destino,
Fez em mim a coragem.
Coloriu-me o rosto, desenhou-me mulher.
Ventania:
Ainda assim, minha alegria.
Ainda assim, meu ar.

Muitos lugares já vi, em poucos vivi.
Ventania: lugar onde os sorrisos têm tanto a dizer!
Lugar que sussurra para sempre...
E o tempo sempre passa.
O tempo levou minha infância,
Levou a casa da vovó Teresa,
Levou a vovó Teresa,
Levou a vovó Maria.
Levou meu eterno amigo, a quem eu chamava: “Vô”.

Em um sítio de Ventania,
Que nada venta: tudo deixa. Tudo fica.
Ficou a árvore de meu avô.
Ficou o verde, ficou a dor.

Ventania que não venta,
Quer que eu a siga,
Não me deixa ir embora.
Na Ventania, tudo fica.



Dedico este poema àqueles que não posso mais ver, mas, sinto. Quem nos ama nunca nos deixa de verdade... O amor é, sim, pra sempre. Não posso ter dúvidas quanto a isso...

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