Queria um sonho pra viver... Algo pra tirar meu fôlego... E me devolvê-lo pra eu poder gargalhar...
Quero um guarda-chuva colorido, da cor da minha alma, pra acabar com os dias cinzas e molhados da minha consciência...
Quero um dia novo, um caderno novo, branquinho... Pra logo, logo, se sujar de novo, e borrar, e molhar, e marcar-me...
Quero um passaporte pra sabe lá Deus onde...
Quero aquela vida que sempre quis... Que não sei qual é... Mas sei quando não é...
Quero um palco, com um microfone, e uma platéia...
Quero a euforia...
Quero uma página minha em você, e um beijo seu em mim...
Quero uma música... E que seja minha.
Quero os anos 70...
Quero aqueles sonhos malucos, enrolados num baseado... E que me suba à cabeça... E que eu suba pelas paredes... E no teu conceito...
Quero aqueles cabelos ainda maiores que os sonhos, e uns olhos delineados e borrados da chuva e da ressaca...
Quero um rock’n roll de matar... E se me matar, sei que fui intensa....
Quero uma revolução... E uns amigos doidos, e que me entendam...
Quero assistir minha mãe nas baladas Flash Back do B2...
Quero ver minha mãe tragando um cigarro, numa calça amarelo-ouro e falando bobagem com as amigas...
Quero entender a cabeça dos intensos da época...
Quero dizer que me vejo muito neles...
Quero voar daquela laranjeira que um dia tive medo de subir...
Quero nadar naquele “Corguinho” outra vez... E poder sentir de novo que não há nada de ruim no mundo... E que tudo, TUDO mesmo, é possível...
Quero abraçar minha avó de novo, e sentir um cheirinho de massa de pão de queijo nos dedos dela...
Quero pegar na mão áspera de trabalhar do vovô, e vê-lo sorrindo pra mim, como quem entende minha timidez, e como quem me ama, e ele me amava mesmo...
Quero ... Eu só quero não é mesmo?
O sentimento de querer faz buscar.
Eu quero um amor e felicidade envolvidos num dia com chuva e sol ao mesmo tempo, dentro de uma caixinha de surpresas lançada ao acaso... Tomara que o acaso me encontre...
Senão, eu vou buscá-lo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
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